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« Resposta #4650 em: Janeiro 18, 2012, 12:52:55 pm »
Lúthien Tinúviel, filha de Melian, recorreu a um encantamento que fez com que o seu cabelo crescesse muito e com ele entrançou uma corda para descer da sua prisão; e com os seus negros cabelos também teceu uma capa como uma noite sem lua, que a ocultava como uma sombra e tinha um poderoso encantamento de sono e repouso. Pergunta: Como se chamava a árvore onde Lúthien esteve prisioneiro e o que significa o nome? Mas não resisto a postar mais um pouco sobre este encantamento, como podemos ler na Balada de Leithien http://www.tolkienianos.com/p/content/content.php?content.114.1Agora Lúthien fez da sua ideia realidade; e a filha de Melian de profundo conhecimento sabia muitas coisas, sim, mais magia que então ou agora sabem as donzelas élficas que brilham e cintilam nas clareiras. Ela pensou longamente, enquanto a Lua se afundava e desaparecia, e as estrelas encolhiam, e a aurora despertava. Por fim um sorriso na sua cara apareceu. Ela reflectiu um pouco, e observou o Sol da manhã a crescer, então chamou aqueles que andavam lá em baixo. E quando um subiu ela rogou que ele fosse aos escuros charcos dos vaus do frio Esgalduin, água clara, a mais clara água fria e pura buscar para ela. "À meia-noite," ela disse, "numa taça de prata branca deve ser retirada e trazida a mim sem palavra falada, silenciosamente." A outro ela pediu para lhe trazer vinho num jarro de ouro onde flores se entrançam - "e cantando deixa-o vir até mim ao meio-dia, cantando alegremente." Outra vez ela falou: "Ide agora, eu rogo, a Melian a rainha, e digam: "a tua filha muito cansada as horas lentamente passando vê no seu quarto; uma roda de fiar ela pede que tu lhe mandes." Então Daeron chamou: "Eu peço-te, amigo, sobe e fala com Lúthien!" E sentada na sua janela então, ela disse: "Meu Daeron, tu tens habilidades, para além da tua música, muitas colunas e muitas ferramentas de madeira esculpida eu te vi fazer com sabedoria. Era bom, se tu me fizesses um pequeno tear para ficar no canto do meu quarto. Os meus dedos ociosos iriam fiar e tecer um padrão de cores, da manhã e da tarde, do Sol e da Lua e da luz inconstante entre as folhas de faia agitando-se levemente." Isto Daeron fez e então perguntou-lhe: "Ó Lúthien, Ó Lúthien, o que é que tu vais tecer? O que é que vais fiar?" "Um maravilhoso fio, e enrolar ai uma potente magia, e um feitiço eu vou tecer dentro da minha teia que o Inferno nem todos os poderes das Trevas poderão quebrar." Então Daeron espantou-se, mas não falou nenhuma palavra a Thingol, apesar do seu coração temer o escuro propósito da arte dela.
E Lúthien agora foi deixada sozinha. Uma magica canção aos Homens desconhecida ela cantou, e cantando então o vinho com água misturou três vezes nove; e enquanto no dourado jarro estavam ela cantou uma canção de crescimento e do dia; e enquanto estavam na prata branca outra canção cantou, de noite e trevas sem fim, de alturas elevadas às estrelas, e voo e liberdade. E todos os nomes das coisas mais altas e longas que há na Terra ela canta: as madeixas dos anões Barbas Longas; a cauda de Draugluin o pálido lobisomem; o corpo de Glaurung a grande serpente; os vastos picos que se elevam acima dos fogos na sombra de Angband; a corrente Angainor que antes do Fim para Morgoth será pelos Deuses forjada de aço e tormento. Nomes ela procurou, e cantou de Glend a espada de Nan; de Gilim o gigante de Eruman; e por último e mais longo nomeou então o infindável cabelo de Uinen, a Senhora do Mar, que corre por todas as águas abaixo do céu.
Então ela lavou a sua cabeça e cantou um tema de sono e de repouso, profundo, insondável e escuro tão escuro como o sombrio cabelo de Lúthien - cada fio era mais esbelto e mais fino que os fios do entardecer que se entrançam em delgadas teias na erva passageira e em flores fechadas assim que o dia passa. Agora longe e longo crescia o seu cabelo, e caia aos seus pés, e vagueava ali como charcos de sombra no chão. Então de Lúthien um sono se apoderou deitou-se na cama e dormiu, até que a manhã através das janelas apareceu escassa e fraca. E então ela acordou, e o quarto estava cheio com um fumo e com as névoas matinais, e profundamente ela ali ficou deitada afogada em sono. Olhai! o seu cabelo pelas janelas saia nos ares da manhã, e escuro crescia flutuando acima dos cinzentos pilares de Hirilorn ao raiar do dia.
Então às apalpadelas ela encontrou a sua pequena tesoura, e cortou o cabelo em redor das orelhas, e perto o cortou da cabeça, encantadas madeixas, fio por fio. Depois disso cresceram lentamente uma vez mais, ainda mais escuros que antes. E só agora estava o seu trabalho começando: longamente esteve a fiar, longamente fiou; e apesar de com arte élfica tecer, longo foi o seu trabalho. Se os homens procurassem chama-la, gritando lá debaixo, "Não preciso de nada," ela respondia, "vão! Quero ficar na cama, e só dormir eu agora desejo, pois acordada choro."
Então Daeron temeu, e com espanto chamou-a lá debaixo; mas durante três dias ela não respondeu. Do escuro cabelo ela teceu uma teia como uma névoa numa noite sem lua, e dai fez uma capa de negro esvoaçante como a sombra debaixo das grandes árvores, um vestido mágico que estava encharcado com sonolência, encantado com um feitiço mais poderoso que o vestido de Melian naquele vale onde antigamente Thingol vagueou debaixo da escura e estrelada cúpula que paira acima do mundo. E agora esta capa à sua volta dobrou, e escondeu as vestimentas de branco cintilante; o seu manto azul com brilhantes jóias como estrelas de cristal, os lilios de ouro, foram tapados e escondidos; e de lá rolavam vagos sonhos e um leve sono caindo sobre ela, que suavemente se espalhava por todo o ar. Então rapidamente ela pega nos fios não usados; destes ela faz uma esbelta corda de fios entrançados ainda longa e forte, com as suas mãos ela lança-a através da abertura da Hirilorn. Agora, que toda a sua arte e trabalho acabou, ela olha através da sua pequena janela virada para Norte.
Já a luz nas árvores desce vermelha, e o entardecer ela vê chegar suavemente pelo chão lá em baixo, e agora ela murmura suave e lentamente. Cantando claramente para baixo ela deita o seu longo cabelo, até que chega por fim da sua janela ao escuro chão. Os homens lá muito em baixo ouvem o som; mas o sonolento fio flutuava e balançava agora acima dos seus guardas. A sua conversa parou, eles ouviram a sua voz e caÃram subitamente com um cativante feitiço.
Agora vestida como uma nuvem ela pende; para baixo pela corda de cabelo ela balança tão leve como um esquilo, e andando, andando, ela dança, e quem pode dizer que caminhos ela tomou, que pés élficos deixam pegadas dançando rapidamente?
« Última modificação: Janeiro 18, 2012, 12:59:04 pm por Gwen »

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